Seguidores

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Ultramaratona 24h dos Fuzileiros Navais - RJ 2011 / Corredor Fanfarrão


Outro nome provável a esse post seria "Corredor Fanfarrão", mas durante o relato você saberá o motivo e tirará suas próprias conclusões.

Decidi que participaria dessa corrida após terminar os 75km em 9h54min da Ultramaratona Bertioga-Maresias. Ali tive todo o apoio de meu cunhado durante o percurso, contando com o poderoso purê de batatas feito pela minha esposa na noite anterior.

No caso da Ultramaratona 24h dos Fuzileiros Navais, a Corpore, organizadora do evento, bem como a Marinha do Brasil, foram impecáveis. Garantiram toda a alimentação dos corredores enquanto estivessem dentro do CEFAN - Centro de Educação Física da Marinha, além de nos fornecer alojamento com excelente banheiro coletivo e banho. Uma estrutura digna de uma prova desse tipo, que é a primeira prova oficial do Campeonato de Ultramaratonas no Brasil, atendendo a todos os parâmetros internacionais.

A minha Ultra começou no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, onde encontrei o corredor da Equipe 100 Limites, o Ricardo Mesquita, com quem havia dividido o café da manhã em Bertioga-Maresias. Ele estava num voo anterior ao meu e disse que me aguardaria no Rio.

O amigo corredor Ricardo Mesquita, sem esconder a dor e os músculos completamente
doloridos ao final da prova: coisa de herói!

Logo em seguida encontrei mais dois corredores da 100 Limites com quem fiz amizade, o Beto (Alberto) e a Claudinha, Cláudia Souto, corredora cujas proezas já admiro há muito tempo. Acabamos encontrando o Ricardo no Aeroporto Santos Dumont e fomos juntos até o CEFAN, num táxi que custou R$60,00 aos quatro. Fechamos um pacote e nos demos bem, pois ouvi corredores que foram sozinhos e pagaram mais de R$80,00.

O Beto e a Claudinha sorrindo, mesmo após transcorridos mais de 22h de prova.

Aqui vale apenas um comentário que não diminui o carinho e admiração que tenho pelo Rio de Janeiro, mas que não pode passar batido: Como a Av. Brasil é feia!!!! Além disso, é uma região muito perigosa, onde há a favela da Maré, também chamada de Complexo da Maré. A Marinha do Brasil é uma espécie de oásis naquela região, tanto que os militares nos garantiram total segurança lá dentro do CEFAN, não respondendo pela integridade de quem se arriscasse a sair na rua.

Reunião Técnica na Sexta-Feira, dia 16 de Setembro, às 18h

Nos deparamos com um trânsito infernal para chegar no CEFAN, mas conseguimos chegar no horário exato em que estava acontecendo a Reunião Técnica, com esclarecimentos de integrantes da Corpore e da Marinha sobre tudo o que era permitido ou não, dicas para evitar bolhas (nesta prestei muita atenção em virtude de meus antecedentes - vide Ultra 24h do Ceret no ano passado), alimentação, hidratação, apoio médico, fiscalização etc.

Vista dos Alojamentos, nos andares superiores, e o refeitório no térreo.

Cada quarto do confortável alojamento possui 3 (três) camas tipo beliche, ou seja, dividi o quarto com mais 5 corredores, sendo que dois deles eram o Ricardo e o Beto. Além disso, cada quarto possuía a mesma quantidade de armários com suas respectivas chaves para guardar os pertences. Também havia dois banheiros com diversas privadas e chuveiros individualizados e impecavelmente limpos durante toda nossa estadia, para uso comum aos atletas. Roupa de banho e cama? Tudo ali, pronto para a nossa utilização, inclusive com coberta e travesseiro. 

Dormitório espaçoso, com beliches, bancada, armários e frigobar.

Na noite da sexta-feira o jantar continha 04 (quatro) tipos de massas, além de sucos e uma sobremesa de goiabada. Após o jantar ainda nos deram um lanche com ricota e passas, que acabei comendo na manhã seguintes, antes da corrida.

Antes de ir ao quarto nos dirigimos (eu, o Beto e o Ricardo) até o local da corrida, que estava iluminado, e ali já fiquei com uma sensação não muito boa com relação ao frio. Eu estava com uma grossa camiseta de algodão de manga longa, e o vento fazia com que a temperatura parecesse mais baixa do que realmente estava. Para evitar inconvenientes, saímos dali rapidinho.

Não dormi lá muito bem. Alguns corredores resolveram conversar no corredor até aproximadamente meia-noite, e somente aí é que consegui engrenar no sono, ainda assim de forma picada. Mas foi bom. Quando eram 5h30 acordei e achei por bem tomar um bom banho para evitar eventual congestionamento dos chuveiros.

Quando retornei ao quarto a galera já levantava, mas sem pressa, afinal, a corrida somente começaria às 9h. Descemos para tomar um café com pão francês, pão integral, geleia e manteiga. Já ia no pão francês quando o Ricardo alertou-me que em virtude da corrida ser muito longa melhor seria optar por pão integral, dica que aceitei sem pestanejar.

Após o café todos foram ao quarto se preparar com seus esparadrapos micropore, vaselinas, bloqueador solar, enfim, tudo quanto era necessário para evitar assaduras, queimaduras, bolhas etc. Fiz tudo direitinho, e só percebi que havia esquecido o boné quando era dada a largada... rsssssss Mas como meu cabelo está relativamente grande, achei que ele daria conta do recado, e efetivamente deu.

Em foto da Priscilla Moreira, junto com os Twitters'run, da esquerda para a Direita:
Regina Takahira, eu, Aline Martinelli, Jorge Cerqueira, Will Runner e Isabel Scisinio

Antes da largada, porém, encontramos essa galerinha bem legal dos Twitters'run do Rio de Janeiro, com quem nos confraternizamos e que nos flagraram durante alguns momentos da corrida, especialmente no início, como a Aline Martinelli, o Will Runner, a Priscilla Oliveira, o Jorge Cerqueira e a Isabel Scisinio. Também conheci pessoalmente - finalmente - a super japa Regina Takahira.

Aqui o Rai, técnico da Equipe 100 Limites, onde pude deixar minhas coisas de apoio.
Quem também prestou uma grande ajuda foi o Raimundo, Técnico da Equipe 100 Limites, com quem deixei minhas tralhas, e a quem desde já agradeço.

O Ultra Jorge Cerqueira, puxando o pelotão após mais de 22h de prova,
pessoa fantástica, admirada por todos os corredores, que além de
nos dar dicas por email, incentivar no facebook e twitter, percorreu 186,6km,
ficou em segundo na sua categoria e em nono no geral.

Logo de cara também vi a figurinha carimbada dessas corridas, o nosso amigo Jorge Cerqueira, da Aeronáutica, que me deu vários capotes durante a prova. Me senti um verdadeiro Nakajima na época do Ayrton Senna.

Era difícil clicar o Jorge em virtude da rapidez com que passava, mas consegui
duas fotos. Quando viu que eu havia parado, disparou: "Correu ao menos uma Maratona?"
E diante da minha resposta afirmativa ficou mais tranquilo - isso após 22h de prova.

A corrida começou com dois tiros de canhões dos Fuzileiros Navais, com céu aberto e muito sol, do jeito que gosto e estou acostumado a correr. É como se meu corpo já tivesse uma proteção natural, pois percebo que apesar do calor algumas partes do meu corpo sempre permanecem mais frias. Além disso não descuidei da hidratação em momento algum, bem como de repor a perda de açúcar e sal.

Em foto da Aline Martinelli, passando bloqueador solar no rosto.
Até o bloqueador solar ficava comigo enquanto eu corria, e de duas horas em duas horas eu passava um pouco mais no rosto enquanto caminhava.

Na Ultramaratona 24h do Ceret, na Virada Esportiva de 2010, a minha estratégia foi começar caminhando durante 30min, e correr mais 30min. Aqui eu não tinha uma estratégia definida, e optei por tentar fazer ao menos uma Maratona até 6h de prova, rodando devagar.

Linda foto já na parte final da corrida, com a Elisete (de branco), Tomiko Eguchi (de cinza)
e o Rodrigo Damasceno. Não lembro o nome do maluco de amarelo, mas segundo o Xampa,
é o cara que faz 10 Ironmans por 10 dias seguidos - fraquinho o cara.

Durante a prova encontrei aquelas figuras folclóricas das corridas, como a avó de todos nos, D. Lucina Ratinho, e também a Tomiko Eguchi, experientes ultramaratonistas que fizeram bonito.

Eu corria de forma tranquila, que não chegava a ser um trote, mas dava uma média de 7,8km por hora, às vezes 8km, apenas fazendo caminhada nos locais de hidratação e no horário de almoço, quando fiz um prato de massa e saí caminhando e comendo ao mesmo tempo, tal qual diversos corredores também fizeram.

Numa das primeiras voltas, ao lado do Ultra Lima, já brincando com o locutor da
Corpore na passagem pelo Pórtico de Chegada

Como eu vestia o manto Coral de BALEIAS, muitos corredores me abordavam e incentivavam com um "Vai lá, BALEIAS!!!". Uma senhora perguntou indignada: "Cadê o Miguel Delgado que não está aqui?!" Alguém me perguntou se o Miguel é quem mandava em BALEIAS, e eu respondi que o Miguel é o CEO de BALEIAS. O colega sorriu divertido e voltamos a correr.

Aqui o guerreiro Joka, ainda sorrindo no final da prova, quando embalou uma corrida alucinante

Noutro trecho estava correndo sossegadamente quando um corredor esbarrou em mim com força. Olhei para o sujeito com cara de poucos amigos, e somente quando ele sorriu vi que era o Joka: "Uhuuuu! Vamos lá, Guerreiro!!!" Divertidíssimo amigo de blog e facebook, passamos a correr juntos e a dar muita risada. Ele me confidenciou que queria correr 200kms, quando eu lhe chamei à realidade, mostrando que naquele passinho que ele estava comigo, além da quantidade de kms percorridos, jamais chegaria aos 200kms!!! - Percebi nele uma pequena frustração, ao mesmo tempo em que fazia sei lá que contas na cabeça.

Junto com a Ultra Elisete, fazendo a digestão

Mais adiante encontrei a Twitters'run do Paraná Elisete Pereira, já uma Ultramaratonista tarimbada, e passamos a caminhar juntos para fazer a digestão, enquanto conversávamos sem parar. Não sei onde arrumamos tanto assunto. Ela me dizia que corria com dor, e passei a admirar ainda mais sua determinação, pois se tem coisa que não curto é correr com dor. A dor muscular, vá lá! Faz parte! Mas enquanto eu considerar isso tudo uma diversão, não vejo necessidade de sofrer muito... só um pouco.

Um típico corredor BALEIAS

Nisso já havia transcorrido de quatro a cinco horas de prova, período em que eu sempre avistava uma corredora mignon e magrinha me dar capote numa velocidade alucinante. Era a Denise, que venceu as últimas três edições, e corria para vencer mais essa. Cada vez que ela me passava dava vontade de falar um palavrão. Mas não é um sentimento de raiva ou inveja! Coisa boa, de admiração mesmo. "De novo essa FDP!!!" - pensava eu, e ficava olhando pra ver se não localizava uma pilha Duracel nas suas costas, pois ela imprimia um ritmo constante, com muita energia.

À direita é possível ver as barracas de acampamento de quem possuía apoio.

Quando percorri 6h de prova achei por bem trocar os pares de meia e tênis. Não sentia nada de anormal, mas o próprio Rai da 100 Limites achou que já havia passado da hora. Foi aí o único momento que dei uma parada, e ainda assim apenas para colocar novo esparadrapo em regiões do pé onde costumo ter bolhas, além de vestir pares de meia novinhos em folha, muita vaselina no pé e o tênis de guerra.

Mantive a camiseta BALEIAS, dei uma rápida passada no banheiro químico para colocar mais vaselina na virilha e na panturrilha, e em meia hora já estava correndo novamente, sem descuidar do BCAA e Ornitargin a cada hora, intercalando gel em carboidrato a cada 45 minutos.

Como já havia corrido 46km, optei por intercalar uma volta correndo com outra caminhando. Só que resolvi que na pista sempre correria, independente de ser a volta da caminhada, de forma que sempre passava pelo pórtico correndo.

Ricardo, se superando. A foto fala por si.

Após umas 9h de prova começou a me dar fome, e eu ficava olhando para ver se não serviriam logo o purê de batatas prometido para início da noite. Frutas não adiantavam, pois percebi que ficava com uma espécie de afta, além de que meu rosto era puro sal. Então passei na tenda da 100 Limites e peguei uma barra de proteínas nas minhas coisas.

Enquanto comia a barra de proteína, caminhava na região onde o mar, ou a baia (eu chamei de orla no Twitter), passaram a bater um vento danado. Já estava anoitecendo e a direção da prova começou a nos orientar a trocar a camiseta, pois o frio já passava a ser sentido, e nessa região o vento era tão forte que derrubou os lixos ali existentes, e fazia com que corrêssemos contra o vento. Um corredor da marinha me disse que ali era melhor até caminhar, pois correr despenderia mais energia.

Regina Takahira sorrindo após 22h de prova concluída

Passei novamente na tenda e vesti a camiseta BALEIAS de manga longa, que já havia deixado separado com o número de peito (recebemos dois números de peito pela direção da prova). Mas não adiantou, o vento passou a me incomodar e meu nariz dava umas fungadas. 

Mais uma volta e o vento piorava. Além disso, a barra de proteína não foi suficiente para matar a minha fome. Foi então que ao passar no local onde serviam comida havia o tão prometido purê de batatas. Logo lembrei do purê da Selma, mas quando fui me servir ele estava muito aguado e sem sal... Confesso que isso deu uma desanimada, e mal consegui comer o purê.

O corredor Pernambucano Esio, representando Acorja. Será que sofreu com o frio da madrugada?
É de uma roupa dessa que estou precisando... "pule não, Dona Mariana, pule não" (by Júlio Cordeiro)

Pode ser também que o purê não estivesse lá tão ruim, e eu é que já estava desgastado demais para o meu perfil de corredor. Mas o fato é que comecei a questionar se estava a fim de correr durante a noite, que apenas começava, e também a madrugada, com todo esse vento frio que fazia.

A Ultramaratonista Giseli Duarte, que correu quase 116km

Minha cabeça já não estava mais a fim, e aí foi a vez do anjinho e do diabinho me provocarem. Só não sei dizer qual era o anjinho e qual era o diabinho. Mas um dizia: "Cara, você não aguenta passar frio! Aproveita que já correu bastante, tá cansado, vai embora e toma um banho quente, deita e desmaia." O outro dizia: "Cara, vai desistir agora?! Nada disso, tenta um pouco mais...".

A Ultra Lucina Ratinho, com 22h de corrida, brava ao me ver fora da prova

Mesmo se eu parasse um pouco para descansar, não poderia ficar na região da prova, pois ali fazia muito frio, e ficar parado era pedir para adoecer. Foi então que decidi passar na tenda da 100 Limites novamente e pegar uma jaquetinha corta-vento preta. Tive que esconder o manto Coral de BALEIAS e colocar o número de peito na própria jaqueta - exigência da direção da prova.

Colega de dormitório, que estreava sua primeira Ultra 24h

Dei umas duas voltas com a jaqueta corta-vento e percebi que não fazia diferença alguma. Isso me desanimou, e pela primeira vez saí pela lateral do pórtico de chegada, que é o local que os corredores passam para descansar. Só que eu não sabia se iria descansar ou cair fora de vez, pois nessa parada a perna também sentiu o cansaço, embora eu soubesse que se voltasse a correr me acostumaria com essa dor.

Roberto, um dos companheiros de dormitório.

Então o tico e teco, anjinho e diabinho, enfim, entraram em ação novamente. Um deles voltou a insistir para que eu fosse ao quarto, tomasse um banho e esquecesse a prova, mas o outro disse para eu aproveitar e fazer uma massagem, que daria tempo para pensar melhor. Fui fazer a massagem e comentei com o rapaz e a moça o meu dilema. Eles me massageavam e diziam que eu era o primeiro atleta que passava ali sem que a musculatura estivesse dura. Além disso também se surpreenderam com meu alongamento. Enfim, eu sabia que isso não era problema. O problema era o frio...

Correndo com vontade, em foto da Adriana Peixoto.

Aí é que comecei a me sentir um corredor fanfarrão, pois quantos corredores não dariam o céu para ter a musculatura em ordem após 9h30 de prova? E eu ali quase desistindo por não aguentar passar frio. Mas não teve jeito, fanfarrão ou não o fato é achei que se era para caminhar naquela parte contra o vento, e fazer isso durante toda a noite e madrugada, passando frio, após todo esse tempo, me arriscaria a ficar doente de bobeira, pois evidentemente a imunidade fica mais baixa após tanto tempo.

Também flagrado pela Adriana Peixoto

E aí comecei a arrumar vários argumentos para parar, mas sabia que estava exercitando uma defesa pessoal para sustentar minha parada. Também senti aquela sensação horrível de que talvez eu não seja um corredor de 24h, já que essa foi a minha segunda tentativa. Ou, quem sabe, talvez tenha adotado a estratégia errada por querer correr uma Maratona logo de cara, enfim, o fato é que nada disso ajudava. Passei na tenda, peguei as minhas tralhas e rumei para o quarto.




Site da Corpore informa:


Acompanhe a prova

Informações gerais no início da noite

17/09 às 18h02


214 atletas, 8327 voltas já completadas, 12.532.135 metros cobertos.

Temperatura começa a cair, vento forte derruba as grades laterais da pista, hora dos atletas agasalharem-se para enfrentar o período noturno.





Antes, porém, ainda tive uma outra oportunidade de não desistir. Justamente no momento em que me dirigia para o alojamento começaram a servir o jantar dos acompanhantes, e lá fui eu, morrendo de fome, verificar o que era servido. Além do 'purê aguado' havia um suculento feijão preto, arroz e frango. Hummmm... não tive dúvidas. Sentei e passei a comer com prazer.

Depois de várias tentativas consegui uma foto da sorridente Madá,
mesmo após 22h de corrida.
Então avistei o Ultra Isaías, que acompanhava a esposa Madá, e pedi para que sentasse comigo. Ele retornava de uma terceira colocação em Ultra de esteira, e estava ali para dar uma força à Madá. Ambos são Ultras, e se revezam no apoio. Contei a ele o meu dilema, e ele disse que eu já deveria ter tomado um banho antes. Disse que tirou a Madá duas vezes da prova para tomar banho e que isso é muito importante. Enfim, ter alguém para pensar por você é muito útil nessas horas.

Aqui outro momento da Madá, um pouco antes da foto anterior, ainda com blusa de frio.

Agradeci ao Isaías, mas após comer fui para o quarto, tomei um banho, reparei uma certa alergia nos pés, e depois não reparei em mais nada, apenas desmaiei, e eram 22h30.

Joka com o pequeno André Cruz (Xampa), que sobre o braço segurava um livro de surf
de presente para o amigo

Acordei sozinho no quarto do alojamento, e meu relógio biológico infalível me fazia acreditar que devia ser 5h30. Dito e feito. Até passou pela minha cabeça voltar a correr mais essas 3 horas que faltavam, mas aí encontraria os verdadeiros guerreiros que ficaram lá a noite e madrugada toda e não me senti à vontade para fazer isso, além do que, já que estava de banho tomado, o melhor a fazer era arrumar a mala, descer para incentivar os amigos zumbis e encontrar o Xampa, André Cruz, que ficou de passar no CEFAN em torno de 7h, além de me informar sobre o horário que sairia o primeiro carro em direção ao Aeroporto - meu vôo estava marcado para 13h, e a corrida terminaria 9h.

Augusto, da co-irmã equipe Acorja, de Pernambuco, depois de percorrer 22h de corrida

Logo após o café encontrei o Xampa conversando com o Joka. Brinquei com o Joka: "E aí, cara! Você veio aqui pra ficar de papo furado?" Ele respondeu "É mesmo!" - e imediatamente nos deixou ali e passou a correr para não parar mais, como se já não tivesse percorrido mais de 22h de prova!!!

Dr. Milton Mizumoto, médico da Corpore, que nos acompanhou durante as 24h

Só sei que via aqueles corredores em estado deplorável passando pelo local em que eu me encontrava, alguns ainda correndo, outros apenas caminhando, mas todos guerreiros! Mas tão guerreiros que eu nem me sentia merecedor de estar ali. E olha que não estou aqui me vitimizando. Enquanto eu já havia tomado banho e dormido parte da noite e a madrugada toda, aquela galerinha estava ali se mantendo em pé, superando sabe-se lá que tipo de dor e dificuldade!

Mais um flagra do Beto e da Claudinha da Equipe 100 Limites

E eu já estava tão fora da prova que aproveitei que o Xampa ia para o Botafogo e peguei uma carona até o Santos Dumont, quando ainda eram 8h20min, ou seja, antes do término da prova, cujo desfecho fiquei sabendo via Twitter, Facebook e no site da Corpore.

O Ultramaratonista Lima, com quem também corri na Ultra de Bertioga-Maresias
e na Maratona de São Paulo

Então ficamos assim: Esse corredor fanfarrão deixa um forte abraço e os parabéns a todos que não descuidaram da pista, enfrentaram o vento que eu não quis enfrentar, e conseguiram permanecer ali durante as 24h, para sabe-se lá como, ainda ter que subir os degraus do alojamento, disputar um chuveiro para tomar banho, conseguir deslocamento até o aeroporto e ainda ter que viajar para chegar em seus destinos e pegar um táxi (alguns até ônibus) para chegar em casa. Por tudo isso é que o título mais adequado desse post é mesmo "Corredor Fanfarrão".

O Ultramaratonista carioca Plácido, com quem já encontrei em duas
edições da Maratona de Porto Alegre, e que se diz carioca e gaúcho.

Em quilometragem percorri 63,2km, ou seja, menos que os 67 da Ultra 24h da Virada Esportiva, e que os 75km da Ultra de Bertioga-Maresias.

Joel dos Santos Leitão, 19 de Setembro de 2011.

13 comentários:

Jorge disse...

Amigo Joel fantástico o seu relato detalhou tudo meu amigo, olha vc também está de parabéns pela kilometragem feita, lembre-se de uma coisa nem em todas as provas estamos bem, se vc correu na virada esportiva ano passado uma kilometragem e nessa dos Fuzileiros outra as vezes o nosso corpo não esteja bem, mas indico a vc correr ela de novo para tirar a prova...Fiquei muito contente em ter dividido a pista com vc, vc representou os baleias muito bem...Muito obrigado por vc me citar aqui e uma pergunta? Vc disse que foi embora mais cedo, vc teve direito pelo menos a MEDALHA da prova e aí como vc vai fazer para pegar a mesma??? Ahhh a foto do maluco de amarelo que já correu vários IRONMANS o cara é foda mesmo o nome dele é SÉRGIO CORDEIRO e é DECA CAMPEÃO em provas de Ultras acesse o site dele e o outro é do meu blog quando em 2009 corremos o Desafio Rio Búzios em que ele foi uma peça muito fundamental para que nós corressemos os 200Kms e o último link é do vídeo em que eu converso com ele e ele dá dicas para ultras vale a pena assistir.

http://www.ultracordeiro.com/

http://www.jmaratona.com/2009/07/desafio-riobuzios-missao-cumprida-parte.html

http://www.youtube.com/watch?v=L-Bf8BQsh7k

Agora é se recuperar para o próximo desafio.

Um forte abraço,

Jorge Cerqueira
www.jmaratona.com

CANELAFINA disse...

Grande Joel, um forte abraço. Li todo relato seu desta prova e, devido ao suspense que voce fez fiquei um pouco apreensivo. O esporte tem destas coisas e, voce fez o melhor. Correta a atitude de abandonar a prova, nao deverias em hipotese alguma insistir. Isto poderia ser insano. De qualquer forma esta experiencia sua nos serve como balizamento para futuros desafios. Voce com certeza vai aprender muito com tudo isto. Valeu, Eduardo.

Xampa disse...

Fala Joel !!!!
Foi muito legal te encontrar mais uma vez. Entendo o que vc tenha passado por lá, o vento no sábado estava demais aqui em casa. Acho q os ventos chegaram a 60 ou 70 kms por aqui.
Coisa de louco!!!!!
Muito bom ver os amigos e conhecer o Joka.
Essa é uma prova que está na lista.
Até a próxima !!!!!

Evandro Cardoso (Alemão) disse...

Amigo Joel!
Parabéns pelo seu post, li por completo para saber cada detalhe da sua prova, até para ficar "por dentro" de como é, porque alguns acorjianos estão pensando em fazê-la em 2012.Senti muito o ocorrido que aconteceu com você, mas em corrida acontece dessas coisas.Estamos aqui nos preparando para o Desafio Praias a Trilhas. Um abraço do amigo Alemão!

Ricardo Hoffmann disse...

Fanfarrão que nada, você saiu da zona de conforto, e isso é o que vale. Parabéns pela rodagem, pela diversão, e por mais essa na conta. Grande abraço.

Joka disse...

Ahuuuuuuuuuuuuuuu !!!!!!! Grande Joel, que trombada foi aquela...kkkk Pensei comigo, ferrou o cara vai me atropelar...kkkk Show te encontrar guerreiro, realmente eu ja tinha perdido as contas antes de anoitecer...rs eu te perguntei um calculo e vc me respondeu que tinha se formado em direto para não ter que fazer contas....kkkk Muito boa, rachei pacas !!! Juro teve uma hr q eu pensei que ja tinha passado dos 100km, que nada eu ainda tava com 86km, como demora para completar 100km...afff Os 200km era para me enganar mesmo, tipo uma meta pois na real eu pensei q ia conseguir rodar apenas 130k até falei para o Jorge. Joel vc foi guerreiro, gostei pacas de correr com vc amigo, o Jorge fala q eu sou pirado, mas vc realmente é o corredor DISCIPLINADO...kkkk Ultra parabéns !!! Sobre o Xampa, sem palavras para o gigante...D+ kkkk fiquei pequeno na foto...rs Ano que vem essa prova vai ferver, só to vendo....Bora treinar, grande abraço e obrigado por tudo mesmo !!! BELO POST !!!

elis disse...

oi, joel!!!

parabéns!!!

se decidir a enfrentar um desafio desses já é um ato de coragem e garra!
essas provas são muito difíceis, desgastantes!
e maravilhosas;)
o que eu acho mais legal é esse espírito de superação que toma conta da gente!
e você tem razão quando comentou sobre a importância de ter um apoio... alguém pra ajudar a gente a raciocinar, dimensionar e enfrentar as dificuldades!

mas é isso mesmo!
cada desafio um aprendizado!
e uma conquista!

eu ainda estou com as pernas doloridas, mas já tô pensando na ultra de campinas rssssss

prova boa pra encerrar um ano muito especial!

mais uma vez, parabéns por cada quilômetro conquistado nesse desafio!

bjs
http://elismc.blogspot.com

GILMAR FARIAS disse...

Joel,
Luis, filho do nosso amigo e corredor Paulo Sobral, diria: só correu 63km?
Pelo amor do Cristo, é muito chão!
Parabéns pela disciplina e coragem.
Você foi citado lá no meu blog, dá uma olhada.
Grande abraço!
Gilmar

Antonio C R Colucci disse...

Parabéns Joel!!!
Foi guerreiro como sempre!!
Isso é o que importa, eu não tenho a menor condição de encarar nem umterço desse desafio!
Parabéns, fez o melhor e da melhor maneira. #aisim
Muito bom seu relato.
Abraço

Colucci
@antoniocolucci

waldinez disse...

fala meu camarada, essa realmente foi a minha primeira ultra 24h. digo primeira por que pretendo faze-la denovo, e espero te-lo como companheiro de pistas novamente....parabens pela sua marca....e a unica coisa que posso falar nesse momento é: VAMOS CORRER!!!!!! obrigado pela citação de minha foto....um abra...ULTRA_WALDINEZ

DricaPeixoto disse...

Joel, se no ano que vem eu estiver com a sua disposição depois de 7horas de prova, vou me sentir a melhor das melhores ;)

Grande abraço, adoramos encontrar um corredor da nossa família Baleias por lá :)

Beijo enorme e até 2012!

Roberto Buzzo disse...

Olá, Joel, nos encontramos hoje lá na Aclimação (29/09). V. postou uma foto minha sim, nº 122. V. fez uma reportagem caprichada, muito boa.
Abraço. Roberto Buzzo.

Anônimo disse...

Parabéns Joel pelo seu blog.

Espero ser seu parceiro sempre nas provas.

Um grande abraço.

Lima